A necessidade do Perdão
Todo aquele que almeja andar nos caminhos do Senhor Jesus jamais pode ignorar ou desprezar uma das maiores e mais sublimes leis morais, que é o perdão. O cristianismo não poderia sobreviver e até mesmo a vinda do Senhor Jesus não teria nenhum sentido se o Espírito do perdão não pudesse funcionar no intimo do ser humano. A Bíblia nos ensina que Deus compreende as nossas falhas, erros e fraquezas, mas nunca poderá aturar aquele que se nega a praticar o perdão. Se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai vos não perdoará as vossas ofensas. ( Mateus cap. 06 ver. 15 ) Até porque o que age assim esta sendo injusto consigo mesmo, haja vista que todos cometemos erros. O coração perdoador sempre encontrará a saída para se redimir diante de Deus e dos homens, mas o inflexível põe em risco a sua própria salvação!
Quando cultivamos um ressentimento contra alguém estamos permitindo que a semente do mal brote dentro de nós e mais difícil será arranca-la quanto mais tempo deixa-la germinar, e não adianta procurar esquece-la e até mesmo afaga-la com boas obras ou caridade, porque mais cedo ou mais tarde suas folhagens irão aparecer e conseqüentemente os seus frutos nocivos.
Esta é uma das razões fundamentais porque afirmamos que o perdão é mais do que uma simples virtude, mas uma grande necessidade.
Deus mostra o Seu caráter diante das falhas e pecados humanos, como podemos observar em Mateus 18.vers. 23 à 35
Por isso o reino do céus é semelhante a um rei que resolveu acertar contas com os seus empregados. Trouxeram-lhe um que lhe devia milhões de moedas de prata. Mas o empregado não tinha dinheiro para pagar a divida. Então o rei mandou vender como escravos o empregado, sua esposa, seus filhos e tudo que possuía para pagar a divida. O empregado se ajoelhou diante do rei e pediu: Tenha paciência comigo e eu pagarei tudo ao senhor! O rei teve pena dele, perdoou suas dividas e o deixou ir embora. O empregado saiu e encontrou um dos seus companheiros de trabalho que lhe devia cem moedas de prata, e então o pegou pelo pescoço e começou a sacudi-lo dizendo: Pague o que me deve! O seu companheiro se ajoelhou e pediu: Tenha paciência comigo e eu lhe pagarei tudo! Mas ele não concordou. Pelo contrario, o jogou na prisão até que lhe pagasse a divida. Quando os outros empregados viram o que havia acontecido ficaram revoltados e foram contar tudo ao rei, que chamou aquele empregado e disse: Empregado miserável! Eu perdoei tudo o que você me devia, porque me pediu. Você devia ter pena do seu companheiro como eu tive pena de você! O rei ficou com muita raiva e mandou o empregado para a prisão, a fim de ser castigado até pagar toda divida. E o Senhor Jesus terminou dizendo: Assim também meu Pai celeste vos fará, se do intimo não perdoardes cada um a seu irmão.
A aplicação desta parábola ilustra muito bem a difícil lei do perdão que tem que ser exercida por cada seguidor do Senhor Jesus Cristo custe o que custar doa a quem doer! Podemos aprender perfeitamente com esse ensinamento que nenhum cidadão jamais poderá tomar posse do reino de Deus se mantiver em seu coração um sentimento de magoa contra o seu próximo. O Senhor Jesus durante todo o seu ministério também deu exemplo de como devemos nos portar uns para com os outros, diante das falhas humanas. É interessante observarmos que todos os Seus milagres apontam a Sua compaixão principalmente para com os homens pecadores. E assim, como se manifestou para com esses homens, não tendo nenhuma divida para com eles. Ele também requer de cada um de nós a mesma atitude para com os nossos semelhantes, perdoando os que nos magoaram, orando por aqueles que nos perseguem e indo além daquilo que nos foi proposto. Só assim alcançaremos a Sua misericórdia.
Perdão: um caminho para a felicidade.
O rancor e a magoa são prejudiciais e geram sentimentos de destruição.
São brechas para a ação do mal e podem desencadear varias doenças.
Quantas guerras não foram deflagradas pela ausência de tolerância, de amor, ou simplesmente por falta de perdão? Ver pessoas se matando, paises invadindo outras nações nos leva a uma pergunta: Porque é tão difícil esquecer as ofensas e perdoar? Mas não precisamos ir tão longe para sabermos que o rancor, o ressentimento e o orgulho têm sido responsável por tantas mortes: e não somente a morte física, mas também a espiritual. Há muitas pessoas travando uma batalha interior, vivendo uma vida seca, por esconderem no fundo do coração ressentimentos que acabam por minar suas forças, suas alegrias e sua vivacidade.
Pessoas que foram machucadas na vida sabem o quanto a magoa corrói e causa dores, tanto emocionais como físicas. Quem já usufruiu do beneficio do perdão sabe o quanto esse sentimento é restaurador e um dos maiores ganhos que uma pessoa pode ter e dar. Vós mesmos sabeis que para o que me era necessário, a mim e aos que estão comigo, estas mãos me serviram. Tenho-vos mostrado em tudo que, trabalhando assim, é necessário auxiliar os enfermos e recordar as palavras do Senhor Jesus, que disse: mais bem-aventurada coisa é dar do que receber. ( Atos cap. 20 vers 34-35 ) É um gesto maravilhoso e divino, um balsamo para massagear a alma. Como seres humanos também já podemos ter desejado o mal a alguém, tentando retribuir na mesma moeda o que nos haviam feito. A chamada ira é bíblica . Irai-vos e não pequeis; consultai no travesseiro o coração e sossegai ( Salmos cap. 04 ver. 04 ) . No entanto, a Bíblia exorta os que alimentam esse sentimento, pois a ira é um passo para dar vazão ao ressentimento. Não se ponha o sol sobre a vossa ira ( Efésios cap. 04 ver. 26 ). Mas quantos não estão pagando um alto preço por não terem desculpado uma ofensa? Quantas amizades perdidas, relações destruídas, casamentos desfeitos por ver a ira transformar-se em rancor? Independente do motivo, alimentar o ódio acaba por estacionar a nossa vida, nos impossibilitando de prosseguir.
Para termos as bênçãos de Deus se faz necessário perdoar também, e quantas vezes forem necessárias. O ato de desculpar alguém significa avançar em todas as áreas da vida, e perdoando podemos ir além de nossos limites. A pessoa que não consegue perdoar fica em debito com o seu ofensor, consigo mesma e, acima de tudo, com Deus. O seu desenvolvimento espiritual estaciona, porque sua consciência fica cobrando ou a vingança ou o perdão, dependendo naturalmente do caráter que ela possui. E a pessoa ofendida é sempre mais prejudicada do que quem a ofendeu, embora fiquem ambas presas por um elo maligno. Quando a pessoa ofendida não consegue perdoar, deixa criar em si uma barreira intransponível, capaz de impedi-la de se aproximar de Deus. Esta é uma das razões por que muitas pessoas não conseguem alcançar a plenitude da vida prometida por Jesus, pois para que possamos verdadeiramente ver a Deus em nossas vidas devemos estar com o nosso coração limpo sem magoa e rancores. Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus. ( Mateus cap. 05 ver. 08 )
Como perdoar quem não se arrependeu?
Existem casos em que é possível confessar o pecado. Em outros, o indulto pode ser liberado secretamente. Uma coisa, porem, é necessária: não guardar qualquer tipo de rancor. Mas como posso perdoar quem não se arrependeu? É o que muitos perguntam.
O principio do perdão funciona independente do arrependimento e tem que partir da pessoa ofendida, ainda que o ofensor não tenha tomado qualquer atitude no sentido de pedir perdão. Outra questão discutível sobre o assunto é quantas vezes perdoar. O perdão é um ato de amor ilimitado. E Jesus até respondeu a Pedro que se deve perdoar quantas vezes forem necessárias. Então Pedro, aproximando-se, lhe perguntou: Senhor, até quantas vezes meu irmão pecara contra mim, que eu lhe perdoe? Até sete vezes? Respondeu-lhe Jesus: não te digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete. ( Mateus cap. 18 vers 21-22 ). O pecado é como uma doença de que precisamos nos livrar quantas vezes venham sobre nós. Da mesma forma são os ressentimentos não repelidos no coração; precisam ser extintos cada vez que encontrarem receptividade.
Os malefícios do ódio
O ódio provoca danos lastimáveis à alma e conseqüentemente rouba a vitalidade do corpo e do espírito.
Dependendo da gravidade da ofensa ou do ato cometido, alimentamos cada vez mais esse ódio e com o passar do tempo perdoar se torna quase que impossível.
A falta de liberar ou pedir perdão impede que nossas vidas se desenvolvam material e espiritualmente, pois provoca uma maldição sobre a nossas vidas e de nossos filhos. Que guarda a beneficência em milhares, que perdoa a iniqüidade, e a transgressão, e o pecado; que ao culpado não tem por inocente; que visita a iniqüidade dos pais sobre os filhos e sobre os filhos dos filhos até a terceira e quarta geração. ( Êxodo cap. 34 ver. 07 ). Nesse caso somente a intervenção do Espírito Santo de Deus para mostrar o contrario.
Quem não perdoa tem a vida dominada pelo ódio.
Guardar ressentimento é como tomar veneno e esperar que outra pessoa morra.
William Shakespeare
O perdão é o antídoto da dor, que transforma o peso em leveza.
A necessidade de perdoar é tão grande que até Jesus Cristo a incutiu na oração do Pai-Nosso. E perdoa-nos as nossas dividas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores ( Mateus cap.06 ver. 12 ) Porque ele fez isso? Porque quando odiamos, aprisionamos a nossa alma e a nossa vida para de se desenvolver e entramos num retrocesso extenuante.
Perdão um ato de amor a Deus
O perdão é a expressão mais forte da presença de Deus em nossa vida. Jesus Cristo é a maior prova de que perdoar é possível. E quando vós estáveis mortos nos pecados, e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou juntamente com Ele, perdoando-vos todas as ofensas. Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contraria, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz. ( Colossenses cap. 02 vers. 13 e 14 ). Mesmo tendo sido pisoteado, apunhalado, morto, ainda assim demonstrou perdão. Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem. ( Lucas cap. 23 ver. 34 ). Jesus não somente orou pelos seus inimigos como também os defendeu diante de Deus.
Um caráter assim se encontra apenas naqueles que tem as suas emoções controladas totalmente pelo Espírito Santo, quando estamos sendo apedrejados, oramos pedindo vingança, justiça, fogo do céu, o peso da mão do Senhor. Mas o autêntico cristão reage diante do ódio e das ofensas recebidas com o mais profundo amor em forma de oração e perdão.
Perdão para recomeçar
O principal dano de não perdoar e ser perdoado é se privar das boas coisas da vida. Quem não perdoa vive amargurado, ressentido e não sabe dimensionar sobre o verdadeiro valor dos fatos agradáveis. Perdoar é uma evolução e a resistência ao perdão é um problema para nós mesmos e não para aqueles com quem estamos ressentidos. Mas há pessoas que não perdoam a si mesmas acham que não são dignas do perdão. E muitas estão longe de Deus, vivendo uma vida miserável por não saberem pedir perdão e se perdoar. Deus esta sempre de braços abertos para nos atender, nos receber.
O filho pródigo
E disse: Um certo homem tinha dois filhos. E o mais moço deles disse ao pai: Pai dá-me a parte da fazenda que me pertence. E ele repartiu por eles a fazenda. E poucos dias depois, o filho mais novo, ajuntando tudo, partiu para uma terra longínqua e ali desperdiçou a sua fazenda, vivendo dissolutamente. E havendo ele gastado tudo, houve naquela terra uma grande fome, e começou a padecer necessidades. E foi e chegou-se a um dos cidadãos daquela terra, o qual o mandou para os seus campos a apascentar porcos. E desejava encher o seu estômago com as bolotas que os porcos comiam e ninguém lhe dava nada. E caindo em si , disse: Quantos trabalhadores de meu pai tem abundância de pão, e eu aqui pereço de fome! – levantar-me-ei, e irei ter com meu pai, e dir-lhe-ei: Pai pequei contra o céu e perante ti. Já não sou digno de ser chamado teu filho; faze-me como um dos teus trabalhadores. E levantando-se, foi para o seu pai, e quando ainda estava longe, viu-o seu pai, e se moveu de intima compaixão, e correndo, lançou-se lhe ao pescoço, e o beijou. E o filho lhe disse: Pai pequei contra o céu e perante ti e já não sou digno de ser chamado teu filho. Mas o pai disse aos seus servos; Trazei depressa a melhor roupa, e vesti-lho, e ponde-lhe um anel na mão e sandália nos pés e trazei o bezerro cevado, e matai-o; e comamos e alegremo-nos. Porque este meu filho estava morto e reviveu; tinha-se perdido e foi achado. E começaram a alegrar-se( Lucas cap.15 vers. 11 ao 33 )
O que podemos tirar de lição desta parábola é que a partir do momento que damos o primeiro passo, quando o pecador, de coração, se volta para Deus, Ele esta sempre disposto a acolhe-lo com perdão, amor, compaixão e direitos de um filho. O arrependimento é o sentimento ou pesar por falhas ou erros cometidos e cria uma verdadeira transformação na vida das pessoas. Embora a base do Reino de Deus seja, o amor, sem que haja o sincero perdão, o amor se desqualifica e, conseqüentemente, sofre. O perdão é imperativo para todos os que desejam entrar no Reino do céu, seguir os passos do Senhor Jesus e possuir o Seu caráter. Não há outra alternativa; não há outro caminho. A dificuldade em perdoar é que há uma luta entre a mente e o coração. O coração diz não perdoe, mas a mente diz perdoe. E nesse conflito que a pessoa vive, entre a mente dizendo sim e o coração dizendonão, tem prevalecido a vontade do coração. Mas quando a pessoa apela para Deus e, com a sua mente ( confessando com a boca ), pede ajuda a Ele em oração, ela adquire a força necessária e perdoa. O coração só é vencido quando a mente pede ajuda a Deus.
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